Por Firmino Júlio

O Brasil atravessa um setembro atípico, carregado de emoções no cenário político e social. Governo e oposição, cada qual em seu campo, se posicionam — a favor ou contra —, mas inevitavelmente se posicionam.

Nas redes sociais e nos telejornais, o povo acompanha o julgamento dos atores e autores do nefasto 8 de janeiro, com os olhos voltados, sobretudo, para o processo que envolve o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, figura central da extrema direita nacional.

Nesse mesmo período, o 7 de Setembro, que já foi celebrado como data cívica e de demonstração de amor à pátria — ainda que muitas vezes reduzido à preocupação com o fardamento escolar das crianças —, hoje ganha novos contornos. As ações tirânicas e imperiosas de líderes como Donald Trump, com reflexos no mundo e em especial no Brasil, somam-se às investidas da chamada “família Bolsonaro”, enquanto o governo Lula reposiciona o Brasil no cenário internacional, sobretudo nos BRICS, reconfigurando a geopolítica das Américas e desafiando a hegemonia político-financeira dos Estados Unidos.

Vivemos um momento de complexidade interna e de tensões externas. No cenário internacional, os ataques na Faixa de Gaza revelam um Israel bélico e implacável, que reproduz contra o povo palestino uma violência que evoca a memória de seu próprio algoz na Segunda Guerra Mundial.

Assim, o 7 de Setembro se reafirma no jargão popular de que “o Brasil é dos brasileiros”. Essa data deve ser vista como símbolo da luta do povo, que resiste e se coloca na linha de frente em meio a contradições internas e disputas globais — ainda que sigamos “deitados em um berço” fraturado por manifestações conservadoras que insistem em fechar os olhos ao racismo, ao crescimento do feminicídio e à perseguição aos grupos LGBTQIA+.

Que o 7 de Setembro se perpetue como um espaço para expor nossas ambiguidades e inconformidades. Que não se resuma a gestos midiáticos, como a exibição de bandeiras estrangeiras nos marcos da nossa independência, mas que seja, sobretudo, um chamado à reflexão e à afirmação da soberania nacional.

Viva o povo brasileiro!

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